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IMPRESSÃO MARROM VAN DYCK
(KALITIPO)
Os
procedimentos para impressão de uma fotografia utilizando o histórico
processo Kalitipo, cuja fórmula mais simples é
conhecida pelo nome de Van Dyck
Brown, são similares aos da prática da cianotipia,
ou seja, após o preparo da solução sensibilizadora, ela é aplicada sobre
uma superfície suporte seca, exposta à luz em
contato com o negativo, revelada, interrompida e fixada. Os instrumentos
auxiliares, pincéis bandejas e frascos, não devem ser os mesmos utilizados
em outros processos.
O
resultado final que se obtém é uma imagem de tons de marrom-escuro. O
emprego de nitrato de prata na fórmula sensibilizadora torna o processo
pouco econômico. Outra desvantagem dessa prática reside no fato de que se a
imagem final não for devidamente fixada, apaga-se num curto espaço de
tempo, o que tem acarretado uma reputação imerecida ao processo. Os
trabalhos seculares, produzidos pelos pioneiros da fotografia, desmentem
tal reputação bem como os assinados por Joan Lyons,
Betty Hahn, Bea Nettles e este autor,
sobre suportes diversos, os quais também servem como boas referências de
sua versatilidade e durabilidade.
Materiais
A fórmula sensibilizadora (Van Dyck Brown) é composta de:
100 g de citrato férrico amoniacal (cristais
verdes),
15 g de ácido tartárico,
40 g de nitrato de prata e
1 litro de água destilada.
Materiais auxiliares*:
- 3 frascos graduados para a diluição dos químicos com capacidade para
500 ml;
- 1 frasco graduado com capacidade de 1 litro;
- 1 pincel largo e macio;
- 3 bandejas plásticas para a revelação, fixação e banho final em água
corrente;
- Fixador comum diluído na proporção 1: 20, sendo
1 parte de fixador para 20 de água; pequena pá ou
colher de plástico para diluir a química;
- 1 chapa de vidro de 4mm de espessura e de dimensão igual ou ligeiramente
maior do que a do suporte escolhido;
- 1 secador de cabelos comum ou um varal instalado em área sombria.
* Não utilize os mesmos
materiais auxiliares em processos diferentes.
Atenção
Evite o contato direto com essa solução, trabalhe de luvas e avental. O
nitrato de prata pode provocar queimaduras e manchas. As soluções de
estoque devem ser guardadas de modo que se evitem acidentes, pois
permanecem ativas por seis meses.
Os papéis mais adequados para essa prática são os mesmos descritos no
processo da cianotipia. O processo também permite
imprimir sobre tecidos de fibra sintética.
Procedimentos
1. Diluir cada um dos químicos separadamente em 250 ml
de água destilada. Uma pequena pá ou colher de plástico deve ser utilizada para agitar a química granulada, fazendo com
que seja dissolvida por completo. A mesma pá pode ser utilizada na diluição
dos diferentes químicos, desde que seja lavada.
2. Diluídos por completo, os químicos devem ser combinados num único frasco
graduado, com capacidade para 1 litro, obedecendo a seguinte ordem: citrato de ferro amoniacal, ácido tartárico
e gradualmente o nitrato de prata. Essa solução combinada deve ser agitada
com a pá por cerca de 5 minutos. Finalmente, complete a solução com água
até obter 1 litro.
Deixe a solução em repouso durante 20 minutos antes de sua utilização. A
cor da solução é amarelo-esverdeada, quase fosforescente. E, estocada em
frasco escuro, permanece ativa durante seis meses. A quantidade de solução
aqui sugerida possibilita grande número de impressões, de dimensão pouco
superior ao tamanho de uma folha de papel ofício.
3. Com o auxilio de um pincel macio e largo, aplique, de maneira uniforme,
a solução química sobre o suporte desejado.
Atenção
A
superfície do papel deve estar bem limpa, pois qualquer impureza ocasiona
reação imediata do nitrato de prata. A mesa sobre a qual será emulsionado o suporte deverá estar bem forrada com
plástico ou folhas de jornal. Cada um dos instrumentos auxiliares:
bandejas, frascos e pincéis, deverão ser lavados imediatamente após o seu
uso pra evitar sua contaminação pelos resíduos químicos.
4. A secagem do suporte é etapa importante e deverá ser executada em
ambiente sombrio e com auxilio de um secador de cabelos. Suportes úmidos
são inadequados para a impressão, resultam em manchas irreversíveis no
resultado final e no negativo. A superfície emulsionada
não deve ser tocada com as pontas dos dedos, pois se contamina rapidamente.
5. A exposição à luz é feita por contato do suporte com o negativo. O tempo
de exposição à luz é indicado por um teste de tira. As fontes de luz mais
adequadas são: lâmpada de quartzo de pelo menos 1000 W ou fontes de luz
ultravioleta provenientes de mesas de impressão a vácuo. A luz solar também
pode ser utilizada.
6. Durante a exposição à luz, a área sensibilizada muda de cor, torna-se
marrom-sépia e alaranjado contrastante, proporcionando bonitos e sedutores
efeitos cromáticos. É impossível, no entanto, manter essas cores, pois o
banho fixador modifica essas tonalidades.
7. A revelação da
imagem é processada em banho de água corrente por cerca de 10 minutos, à
temperatura ambiente. Durante a revelação, a solução química não atingida
pela luz é diluída em água. Essa reação é perceptível, pois a solução
assume características de um líquido branco leitoso. Enquanto essa reação
ocorrer, a imagem estará em processo de revelação. Somente quando a água do
banho revelador estiver limpa, a tarefa estará completa e a imagem, pronta
para ser fixada.
8. A solução fixadora deverá estar diluída na
proporção de 1: 20, ou seja, 1 parte de fixador
para 20 de água. Trata-se, portanto, de um fixador
lento. O tempo de fixação da imagem obtida é muito curto (2 minutos no
máximo). O fotografo deve estar atento à mudança cromática que ocorre nesse
banho. Quando a imagem obtida assumir uma tonalidade marrom-escura, a
fixação estará completa. A fixação inadequada encurta a permanência da
imagem. A fixação prolongada apaga a imagem obtida.
9. O banho final deve ser feito em água corrente, a uma temperatura de 25º
C, durante 15 minutos.
Trata-se de uma imagem delicada, a qual deve ser montada sobre superfícies
de pH zero, pois em contato com superfícies ácidas e retentoras de umidade
tem pouca durabilidade.
KALITIPO
Essa
prática foi iniciada em 1889, quando o inglês W. W. Nichol
formulou seus princípios. O resultado final gerado por esse método de
impressão fotográfica é bem parecido com o resultado obtido no processo Platinum (descrito a seguir). Procedendo
cautelosamente, principalmente no que diz respeito à fixação da imagem, a
durabilidade do resultado é consideravelmente longa.
Materiais
80 g de oxalato férrico;
7 g de ácido oxálico;
500 ml de água destilada;
40 g de nitrato de prata.
Ferramentas complementares: pincéis, copo graduado, pequena pá para mistura
dos químicos, recipientes de plástico escuro para estoque, bandeja de
plástico para banho revelador, chapa de vidro para impressão por contato.
Os papéis mais adequados com suporte são os mesmos descritos nos processos
anteriores. A utilização de originais contrastados é recomendável. O uso de
luvas plásticas e avental é sempre adequado.
Procedimentos
1. Diluir o oxalato férrico e o ácido oxálico separadamente em 200 ml de água. As soluções devem ser deixadas em repouso
por cerca de 20 minutos. Estocar em frascos plásticos escuros.
2. As soluções devem ser misturadas em proporções iguais, e a elas ser
adicionado gradualmente e em constante agitação o nitrato de prata. A
solução combinada deve ser estocada em frascos de plástico escuro e, antes
de sua utilização, o frasco deve ser agitado de forma que o nitrato de
prata fique melhor distribuído.
3. Com o auxílio de um pincel largo e macio, aplique a solução sobre o
papel de modo uniforme, cobrindo a área de impressão por inteiro.
4. Seque o papel sensibilizado com a ajuda de um secador de cabelos e, após
a secagem, utilize-o imediatamente. Lembro que a solução fotossensível é
estocável. O papel sensibilizado não.
5. A impressão deve ser feita por contato do suporte com o negativo. A
revelação, fixação e secagem final devem ser processadas nos moldes
descritos no processo anterior (Van Dyck Brown).
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