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CIANÓTIPO
Processo
fotográfico histórico baseado nas propriedades fotossensíveis de alguns
sais férricos na produção de uma imagem. Seu nome deriva da terminologia de
um dos químicos componentes de sua solução fotossensibilizadora:
o ferrocianeto de potássio. Essa solução requer apenas a adição de dois
outros químicos: citrato de ferro amoniacal e
água. A cianotipia é uma prática na qual o papel
fotográfico é, de certa maneira, “fabricado” pelo fotógrafo.
Sua maior vantagem reside no fator econômico de sua produção. Sua maior
limitação: o resultado final será sempre em tons de azul, o que não deve
ser confundido com o resultado proporcionado pela heliografia.
Os cianótipos mais comuns são executados sobre papel.
Pode-se, no entanto, aplicar sua emulsão sobre tecidos de fibra natural,
como algodão e seda. A artista Catherine Jansen
produziu, na década de 1970, uma instalação ambiental apresentando toda a
mobília de um quarto de dormir impressa com essa técnica. A prática desse
método de impressão é tão antiga quanto a própria
fotografia. A documentação botânica feita por Ana Atkins, em 1864, é seu
maior testemunho. Outros artistas contemporâneos que devem ser mencionados
como exímios praticantes da cianotipia são: Bea Nettles, Betty Hahn, Robert Rauschenberg, Jane Stevens e
Joan Lyons.
Dado que
a solução fotossensibilizadora para execução de
um cianótipo é muito lenta, isto é, requer um
longo tempo de exposição à luz para gravar uma imagem, é necessária uma
fonte de luz muito forte para o trabalho de impressão, geralmente feita por
contato do negativo com o suporte escolhido.
Desconsidere
qualquer possibilidade de trabalhar com esse e os outros processos aqui
descritos num laboratório fotográfico. Com a utilização de um ampliador
tradicional como fonte de exposição, você levaria “séculos”
para obter uma imagem subexposta.
Fontes
de luz
A melhor
fonte de luz para exposição de um cianótipo é o
sol. Outras fontes de luz bastante adequadas são lâmpadas de quartzo de
1000W ou, se disponível, a fonte luminosa a carvão de uma máquina de
gravação de chapas de offset. Lâmpadas
ultravioleta também podem ser utilizadas. Pequenas “mesas de
luz” para a gravação de chapas de ofsete também são bastante
adequadas para a exposição de um cianótipo,
principalmente por possuírem um sistema de pressão a vácuo, o que permite
um contato preciso e eficiente do negativo com seu suporte. A empresa Mecanorma comercializa alguns tipos dessas mesas de
dimensões pequenas. As fontes de luz recomendadas também servem aos
propósitos dos outros processos artesanais aqui descritos.
Solução
Fotossensibilizadora
(solução para estoque)
A química
componente da solução sensibilizadora é apresentada em forma granulada e
deve ser diluída em água em frascos separados, bem como estocada em frascos
de plástico escuro diferentes. Diluídas e estocadas corretamente, as
soluções permanecem ativas por cerca de um ano e meio. As quantidades
sugeridas abaixo como solução de estoque, são suficientes para produzir
mais de uma centena de cópias, se o tamanho do trabalho não exceder a
dimensão de uma folha de papel ofício.
Materiais
50 g de citrato férrico amoniacal (de cristais verdes);
35g de ferrocianeto de potássio;
1 frasco graduado para a diluição dos químicos;
1 pequena pá de plástico para mistura de químicos;
1 pincel largo e macio para aplicação da química sobre papel;
1 secador de cabelo para secagem;
1 chapa de vidro de pelo menos 4
mm de espessura ( de
dimensão igual ou um pouco maior que a do suporte ) pra fixar o contato do
suporte com o negativo a ser impresso;
1 bandeja plástica para o banho final da imagem em água corrente.
Os papéis mais adequados para a execução de um cianótipo,
bem como para a maioria dos processos fotográficos férricos, são aqueles
feitos com fibras naturais e de pH zero, como o Kid’s
Crane Finish ou Rives BFK, por exemplo. Esses são papéis caros,
difíceis de encontrar no mercado nacional, devendo ser utilizados “encolados”, resistentes à água e de absorção
média, como o Fabriano e o Canson,
podem produzir bons resultados. Papéis artesanais de boa qualidade também
são adequados como suporte, bem como tecidos de fibra natural, como algodão
e seda. A empresa Moinho Brasil, de Renata Telles, fornece papel artesanal
de alta qualidade para esse fim.
Procedimentos
1. Diluir 50 g
de citrato férrico amoniacal de cristais verdes
em 250 ml de água. A diluição deve ser feita em
constante agitação. Deixar em repouso.
2. Diluir 50 g
de ferrocianeto de potássio em 250 ml de água.
Aqui também a diluição é feita em constante agitação. Deixar em repouso.
3. Após 30 minutos de repouso, as soluções devem ser misturadas em
proporções iguais, na quantidade ideal para o trabalho que se deseja
realizar. 50 ml de solução combinada são
suficientes para sensibilizar de três a quatro folhas de papel de 20 x 20 cm de dimensão. A
coloração da química deve ser amarelo-esverdeada quase fosforescente.
4. Em ambiente sombrio e com auxílio de um pincel largo e macio, aplique
sobre a superfície do papel a solução senssiblizadora
em toda a área que será ocupada pelo negativo. É aconselhável, porém não
necessário, que se deixe uma margem em torno da área de trabalho.
5. Seque o papel sensibilizado com o auxílio de um secador de cabelos. É
muito importante que o papel esteja totalmente seco antes de sua exposição
à luz. Papéis úmidos ocasionam manchas no negativo e no resultado final.
6. Exponha à luz o “sanduíche” feito com o papel sensibilizado,
o negativo e a chapa de vidro. O tempo de exposição à luz é indicado pela
mudança de cor na área sensibilizada. O resultado deve apresentar uma imagem de cor azul-profundo. O tempo de exposição à
luz deve ser controlado por uma tira de teste.
7. Exposta à luz, a imagem, que agora se apresenta em tons azuis, deverá
ser revelada em banho de água corrente durante aproximadamente 15 minutos,
a uma temperatura ambiente, para a remoção total da química sensibilizadora
não afetada pela luz. Caso contrário, o resultado ficará manchado.
8. Seque a imagem obtida com um secador de cabelos ou sobre uma esteira ou
em um varal.
Atenção
Uma nova camada sensibilizadora sobre um cianótipo
finalizado não é aconselhável. O ferrocianeto de potássio da nova camada
apaga a imagem já impressa.
Algumas
sugestões
Desejando
intensificar o tom de azul obtido, mergulhe a imagem, por alguns segundos,
num banho de “água de lavadeira” (cândida) diluída na proporção
de 1:20, isto é, 1 parte de cândida para 20 partes
de água. Após essa imersão, a imagem deverá ser lavada em água corrente por
mais 15 minutos.
Para intensificar o contraste de um cianótipo,
adicione 6 gotas de dicromato de potássio
(solução a 1%) em cada 4 ml de solução
sensibilizadora.
Também é
possível rebaixar a tonalidade de azul do cianótipo
mergulhando-o numa solução de 20% de oxalato de potássio ou numa de ácido
oxálico. Após essa aplicação, a imagem deve ser lavada em água corrente
durante 30 minutos.
A tonalização de um cianótipo é
possível, porém pouco recomendada, devido ao imprevisível e instável
comportamento das cores geradas.
São as seguintes as fórmulas e os procedimentos tonalizadores
mais estáveis:
Violeta-escuro – Mergulhe
a imagem numa solução de amoníaco (50%) e água. Esse procedimento apagará a
imagem temporariamente, até que a mesma seja lavada em água corrente
durante 5 minutos e tonalizada numa solução de ácido gálico
diluído em água na proporção de 1:100. Após a tonalização, a imagem deverá ser lavada em água
corrente durante 30 minutos.
Azul-marinho – Mergulhe
a imagem numa solução de 5% de acetato de chumbo a 30º C de temperatura. Após
a tonalização a imagem deve ser lavada em água
corrente por 30 minutos.
Marrom-siena – Banhe a
imagem durante 5 minutos numa solução de 6g de ácido tânico diluídos em 180
ml de água. Transfira a imagem para um banho de
6g de carbonato de sódio diluídos em 180 ml de
água durante 5 minutos. Após esses banhos a imagem deverá ser lavada em
água corrente por cerca de 15 minutos.
Comentário
Esse
método de impressão pode ser combinado com o método de impressão Marrom Van Dyck, descrito a seguir,
desde que o procedimento da cianotipia seja
executado antes. A inversão dessa ordem não produz bons resultados, pois a
aplicação do ferrocianeto de potássio sobre uma “impressão
marrom” apaga e mancha a imagem já impressa. Veja, no capítulo
seguinte, o trabalho da fotógrafa Joan Lyons para
ter uma idéia do que é possível em termos de combinação desses métodos de
impressão.
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