CLICHÉ VERRE ( CLICHÉ GLACE)
Uma
das formas de se construir um negativo sem a utilização
da máquina fotográfica consiste na prática
do cliché verre, também conhecido pelo nome de cliché
glace, termo de origem francesa que em tradução literal
significa clichê de vidro. Esse método histórico
foi amplamente praticado no final do século XIX por artistas
como Camile Corot e Charles François Daubigny e, mais tarde,
esteve presente nos trabalhos dos seguidores da Bauhaus, como Gyorgy
Kepes. Hoje, ainda é muito praticado por renomados artistas,
como Robert Rauschemberg e Keith Smith.
Tal
prática consiste na execução de um desenho
sobre uma camada de tinta opaca aplicada na superfície de
uma chapa de vidro. O desenho é literalmente arranhado com
uma ferramenta pontiaguda. Essas ranhuras que formam o desenhosão
posteriormente tratadas (batidas) cm uma trincha ( um pincel especial)
para “quebrar” os traços executados, transformando-os
em minúsculos pontos.
Quando o desenho sobre
a chapa de vidro é feito com a remoção da camada
de tinta, o método é chamado de substrativo e a atitude
inversa de método aditivo. Há casos em que ambos os
métodos são utilizados na confecção
da imagem matriz.
Executado o desenho (em negativo ou positivo), a chapa é
colocada em contato com a superfície fotossensível
(papel fotográfico) para sua impressão. Os procedimentos
de impressão e revelação são similares
aos da execução de um fotograma, se o suporte utilizado
for o papel fotográfico convencional.
A prática do cliché verre nos dias de hoje, admite
o emprego de materiais diversos, como chapas de acrílico
ou de plástico rígido como substitutos da chapa de
vidro. Admite-se também o emprego de materiais diversos,
como numa colagem, para a composição da imagem matriz.
As tintas opacas mais indicadas para a execução e
um cliché verre tradicional são as tintas utilizadas
na impressão de gravuras, disponíveis em lojas de
materiais artisticos.
O
cliché verre projetado
Uma espécie de
corruptela do cliché verre em formato 35 mm, isto é,
formato do filme fotográfico convencional, pode ser confeccionda
como se fosse um slide. Para tanto, são necessários
pequenos retângulos de acetato, sobre os quais deverá
ser executada a imagem matriz.
O procedimento é
simples, consiste na confecção de pequenos “sanduíches”
de acetato (35 mm) cujo “recheio” são finas camadas
ou gotas de tinta transparente, guche, aquarela ou nanquim, misturadas
com cola branca eaplicadas ao sabor do acaso. A composição
gerada pela mistura das tintas pode ser controlada de forma que
se obtenha um resultado específico, porém, muitas
vezes, a pressão entre as faces dos acetatos é suficiente
para a criação de superfícies cósmicas
inusitadas.
Dessa econômica
experiência fotográfica resultam surpreendentes efeitos
cromáticos, e até mesmo alguns efeitos cinéticos
podem ser gerados quando se projetam as imagens com o auxílio
de um projetor de slides ou de um ampliador fotográfico.
Alguns de meus alunos, com o auxílio de pequenos estiletes
e lâminas de barbear, aplicaram sobre negativos de filme já
expostos, isto é, negativos que já continham uma imagem,
novas texturas e formas. O resultado revelou um sentido plástico
surpreendente.
O artista plástico
Geraldo de Barros utilizou-se dessa técnica para a composição
de algumas de suas fotografias, e seus negativos serviram ao propósito
de suas ampliações.
Essas pequenas transparências
podem ser ampliadas sobre o papel fotográfico convencional
com o auxílio de um projetor de slides ou de um ampliador
fotográfico amador.
Tais transparências
também podem compor a sequência de um audiovisual simples.
Certa vez, foi me apresentado um audiovisual composto de “sanduíches”
feitos com tinta líquida sem o emprego de cola. A temperatura
da lâmpada do projetor de slides, ao aquecer o “sanduíche”,
fazia com que a tinta líquida produzisse pequenos e dinâmicos
“ asteróides”, inaugurando, de certa forma, uma
espécie de “foto viva”. Essa experiência
deve ser feita com toda a cautela para não danificar o projetor. |