ELETROGRAFIA (FOTOCÓPIA)
A imagem produzida com esse processo fotográfico
seco, inventado por Chester Carlson num labortório improvisado,
mostrava o local e a data de sua execução: Astoria,
22/10/1938. Na época, houve quem relutasse em comprar a patente
daquela invenção. Hoje, somam-se aos bilhões
as cópias eletrográficas feitas diariamente em todo
o planeta. Os pioneiros dessa prática já têm
seus trabalhos em acervos de museus e centros de pesquisas dedicados
exclusivamente ao assunto.
O processo de Carlson, inicialmente denominado Haloid, era muito
trabalhoso se comparado as facilidades oferecidas pelasmáquinas
Xerox de hoje. Empregava uma câmera fotográfica de
grande formato, na qual, em vez de filme, era introduzida uma chapa
de selênio eletrificada. O selênio fazia o papel do
filme, pois quando recebia uma carga de eletricidade tornava-se
fotossensível, e essa propriedade possibilitava a gravação
de imagens. A imagem gravada na chapa era, posteriormente, transferida
a um gaveteiro, contendo o tonalizador constiuído de microesferas
de plástico.
A chapa de selênio carregada de eletricidade estática
atrai o tonalizador para as áreas expostas á luz,
formando a imagem. Posteriormente, numa terceira gaveta e com auxílio
de uma nova carga elétrica, o tonalizador é transferido
e fundido ao suporte final, que pode ser papel, tecido, vidro ou
atee mesmo blocos de pedra.
Charles Arnold ee considerado o pioneiro na utilização
do meio eletrográfico como forma de expressão artística.
Seus primeiros trabalhos eram feitos com o processo Haloid. Engana-se
quem imaginar que os efeitos plásticos obtidos por Arnold
só podem ser viáveis por meio desse antigo método.
As máquinas mais atualizadas, desde que corretamente manipuladas,
também proporcionam boa qualidade de resultados. São
máquinas com potencial para copiar, distorcer, reduzir e
ampliar originais coloridos com bastante fidelidade, em negativo
ou positivo, podendo até gerar transparências de alta
qualidade. Há máquinas que possibilitam ampliar uma
folha de papel ofício na dimensão de um outdoor com
muito boa qualidade de definição. Tais ampliações
são fornecidas em partes, como peças de um mosaico.
Com o avanço das tecnologias de ponta, as possibilidades
de abordagem do meio eletrográfico foram multiplicadas. Às
máquinas foram acoplados scanners, câmeras de vídeo
e computadores, os quais proporcionam efeitos inusitados na confecçnao
da representação visual.
O contraste e escala tonal proporcionados pela máquinas eletrográficas
são geralmente proporcionais à quantidade de tonalizador
que as mesmas despejam sobre a imagem gravada e, dependendo dpo
equipamento, essa quantidade de tonalizador pode ser regulada. Nas
máquinas com menos recursos técnicos, o contraste
pode ser acentuado fazendo-se uma recopiagem da imagem sobre o mesmo
suporte. O papel suporte poderá ser reutilizado diversas
vezes, desde que entre as cópias seja permitido um tempo
para que o mesmo se resfrie à temperatura ambiente. Um papel
demasiadamente aquecido pode ficar travado no bojo da máquina.
Todo papel utilizado na prática eletrográfica deverá
ser estocado em ambiente seco. Papéis úmidos produzem
um resultado manchado.
Outro item que pode ocasionar manchas e riscos na imagem copiada
é um cilindro de selênio sujo. Limpezas periódicas
são recomendáveis. Trata-se de um serviço delicado,
não hesite em chamar um técnico para executá-lo.
Talvez o mais curioso de todos os equipamentos eletrográficos
disponíveis seja uma máquina portátil que pode
ser transportada no bolso de uma camisa e funciona à base
de baterias, produzindo como resultado uma imagem fracionada em
tiras adesivas. Esse equipamento ainda não foi lançado
no Brasil. Franz John é o artista mais bem- sucedido nessa
prática. Ele copia e remonta ambienetes inteiros com essa
máquina portátil.
Alguns
artistas e suas invenções
Jose
Ramon Alcala e Fernando Canales – durante o período
que trabalharam em dupla, esses artistas desenvolveram trabalhos
de grandes formatos, nos quais interferiam com desenhos, colagens
e vernizes. Esses trabalhos tinham como ponto de partida uma reflexão
plástica calcada em originais da pintura clássica
e contemporânea, como é o caso de O tríptico
da violência, apresentado no Brasil durante o II Studio Internacional
de Tecnologias de Imagem, em 1991, no qual dominava uma radiofoto
da fuga dos curdos, circundada por imagens retiradas de pintura
clássicas que tratavam do tema, como Guernica de Picasso,
por exemplo. Hoje, esses artistas desenvolvem pesquisas individuais.
Patti
Ambrogi – com uma agulha de costura acoplada a um gerador
de eletricidade, a artista vai depositando tonalizador sobre superfícies
diversas, como papel e vidro, por exemplo, criando composições
policromadas de alto refinamento plástico. Sua série
de trabalhos mais fascinante apresenta delicadas imagens de plantas
eletrografadas sobre grandes chapas de vidro e combinadas com papel
artesanal proveniente da polpa dessas mesmas plantas.
Mônica
Shoenacker – introduziu o papel moeda na máquina, e
na sua porta original colocou uma estampa floral, que ficou gravada
na frente e no verso do papel moeda. Detalhes em ouro via processo
de impressão hot stamp transformavam esses “dinheiros”
em singulares discursos sobre valores.
A mesma matriz floral foi transferida para filme alto-contraste
e, posteriormente, impressa em serigrafia para compor as páginas
de seu livro O jardim imaginário, editado pela ABER –
Associação Brasileira de Encadernação
e Restauro.
Jesus
Pastor Bravo – o refinado trabalho desse persistente pesquisador
do meio eletrográfico chama atenção não
só por suas qualidades plásticas e discursivas, como
também pelos métodos que emprega. Ele transporta a
imagem eletrográfica para chapas de metal, com as quais faz
as matizes de suas gravuras. Numa outra série, a imposição
de folhas de ouro sobre a imagem eletrográfica, com a utilização
de solventes, dota as imagens de qualidades raras. Seu trabalho
mais recente apresenta texturas eletrográficas gravadas sobre
blocos de mármore, numa espécie de mergulho ao interior
dos suportes.
Bernardo
Krasniansky – designer adepto da prática que utiliza
a eletrografia como suporte na confecção de aplicadas
litogravuras e serigrafias. Suas assemblages combinam eletrografias
sobre papel acetato, produzindo curiosos efeitos de transparência.
Romã
Arranz – trabalha com bastante eficiência na tranferência
de imagem eletrográfica para outros suportes, como plástico,
por exemplo. Aplicando solventes sobre imagens originais, ele as
transfere para suportes diversos. Sua releitura de O banho turco
, de Ingres, impressa e transferida para uma cortina de boxe, é
dotada de inigualável senso de humor.
James
Durand – geralmente trabalha com máquinas coloridas
a laser, as quais são alimentadas com grandes tiras de papel
á medida que vão abrindo e fechando suas tampas. Nessas
máquinas o flash acende-se por quatro vezes, uma para cada
cor primária e para o preto. Programada para um grande número
de cópias, o acender e apagar das luzes torna-se frequente
e, cada vez que a tampa da máquina é aberta e fechada,
a imagem da luz refletida vai criando um padrão geométrico
multicolorido na tira de papel.
Bettina
Musatti – fotógrafa que tem utilizado um sistema combinado
de fotografia e radiografias digitais na confecção
de eloquentes eletrografias de grandes dimensões. A artista
tem uma abordagem técnica muito diversificada na confecção
de seus trabalhos. Sua publicação The Body image reflete
a alta qualidade de suas idéias visuais.
Hirotaka
Maruyama – utiliza máquinas sofisticadas ou comuns
que são alimentadas com suportes inusitados, como o papel
aluminizado. A imagem resultante da utilizaçnao desse suporte
tem uma qualidade abstrata, similar a uma textura da superfície
lunar, o que, de certa forma, “ esconde” a intenção
formal objetiva da imagem. Sua série de eltrografias impressas
sobre lâminas de estiletes é fascinante. Hirotaka tambeem
pesquisa métodos conjugados de eletrografia e computação
gráfica.
Essas
referências têm o intuito de demonstrar algumas possibilidades
que o meio eletrográfico oferece.
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