FOTOGRAVURA (ETCHINGS)

Método fotográfico de gravar imagens sobre chapas de metal, a fotogravura teve seus princípios delineados por Fox Talbot que, dentre as mitas experiências desenvolvidas na busca de uma imagem fotográfica permanente, observou as propriedades fotossensíveis do dicromato de potássio quando combinado a uma folha de gelatina. Atingida pela luz, essa gelatina endurece e torna-se insolúvel, permitindo seu uso como base para a gravação de imagens.

No desenvolvimento de suas investigações, Talbot notou que, ao deitar uma tela de gaze sobre a gelatina sensibilizada, poderia “quebrar” (reticular) a imagem original que pretendia gravar, o que possibilitava registrara, sobre a chapa, os meios-tons e os detalhes mais finos da imagem original. Descoberta que pautou a maioria dos processos de impressão contemporâneos.

Em breve descrição, nesse processo, uma chapa de metal (cobre) é polida de forma que a superfície fique o mais lisa possível. Para esse polimento, é utilizado o líquido do tipo Brasso.

Ao término do polimento, todo o resíduo de gordura renitente é removido da superfície da chapa com o auxílio de um algodão e de um banho de soda cáustica, e de um outro, de água quente. É imprescindível que toda a gordura seja removida da superfície da chapa.

Polida, a chapa é tratada com pó de breu fino. O pó de breu é espalhado e derretido por aquecimento por toda a superfície da chapa, o que lhe confere uma textura similar à obtida no processo de gravação chamado de “água forte”. Esse procedimento deve ser feito com cautela. Há gravadores que constroem pequenos gaveteiros ou caixas de madeira para essa finalidade, o que torna a tarefa mais ágil e sem o incômodo da sujeira que o pó pode provocar.

Branca de Oliveira é uma experiente gravadora que utiliza esse recurso. Em seu ateliê, a gravadora mantém cursos regulares sobre a técnica de fotogravura, bem como sobre todos os outros processos de gravação.
Há gravadores que utilizam chapas de outros metais mais baratos para essa finalidade. Recomendo o uso de chapas de cobre. A dimensão da chapa deve ser um pouco maior do que a imagem original que se deseja imprimir. A chapa a ser utilizada não precisa swer muito espessa. Quanto mais espessa ela for, mais cara será.

Após o tratamento com o pó de breu, achapa deve ser colocada em repouso até a execução final dos procedimentos complementares ( de preparo do papel gelatinado).

Procedimentos

1. Uma folha de papel gelatinado é sensibilizada com dicromato de potássio.

2. Essa folha de papel gelatinado é exposta à luz em contato com umaimagem positiva ( para se obter aimagem positiva, recomenda-se o Kodak Gravure Positive Film ). Após a exposição à luz, essa folha de papel gelatinado deve ser ligieramente umedecida.

3. O papel gelatinado é então cuidadosamente pressionado à chapa de cobre tratada com breu, de forma que fique grudado à superfície da chapa, o que permite a remoção do papel suporte da gelatina, isto é, a gelatina é transferida para a chapa, seu novo suporte. Para melhores resultados, utilize um pequeno rodo de borracha ou mesmo um limpador de pára-brisas para exercer a pressão desejada na transferência de suportes.

4. A chapa de cobre, contendo a gelatina, é então lavada em água morna, o que provoca a diluição das partes da gelatina não afetadas pela luz. Seca, a chapa deverá apresentar uma espécie de baixo relevo formado pela gelatina endurecida pela ação da luz.

5. A chapa de cobre é, então imersa numa solução de cloreto férrico cuja função é corroer as áreas não vedadas pela gelatina, isto é, provocar o que os gravadores chamam de “mordedura”. É essa mordedura que grava a imagem sobre a chapa.

6. Gravada e seca, a chapa é “entintada” e impressa nos moldes tradicionais de impressão em metal.

Trata-se de um processo trabalhoso, cuja prática é recomendada a fotógrafos e gravadores experientes. Recomenda-se a leitura do livro A treatise on photogravure, de Herbert Denison, reeditado pelo Visual Studies Workshop, para um detalhamento mais refinado sobre o processo.

As ilustrações mostram fotogravuras de Bea Nettles e de Branca de Oliveira e as fantásticas fotomontagens metálicas de Jill Gussow, que faz da chapa gravada a imagem que lhe conveem na construção de seus enigmas mnemográficos.