KWIK PRINT
O processo deriva de um método de execução
de provas gráficas e, como tal, recebe o nome de Kwik proof.
Por solicitação de de diversos artistas, o processo
dfoi aperfeiçoado. Os pigmentos de alta qualidade utilizados
na execução da fórmula sensibilizadora conferem
ao resultado final durabilidade por tempo indefinido. Esse processo
também pode ser considerado como uma corruptela do processo
de impressão sobre goma-arábica, sendo que a principal
diferença entre ambos é que o Kwik print é
mais ágil e econômico.
A velocidade na gravação das imagens
sobre o suporte é lenta, o que permite trabalhar em luz ambiente.
A solução fotossensibilizadora e
liquida e apresentada em diversas cores, em pequenos frascos plásticos.
Essas “tintas” sãotransparentes, o que propicia
uma infinita mescla de cores quando se trabalha com múltiplas
exposições. Trata-se de um produto fabricado pela
Direct Reproductions, que também responde pela distribuição
e comercialização de ma teriais auxiliares como: o
suporte (vinyl) perfuradores e botões metálicos para
registro, solução branqueadora (clear) e toda uma
linha de papéis e filmes apropriados para confecção
de máscaras.
O processo é simples, constituindo-se na
aplicação da emulsão sobre um suporte e sua
posterior exposição à luz. A revelação
é feita em água corrente, aconselhando-se o uso de
um sifão para circulação e drenagem da água.
Suportes
O suporte tradicional, e mais adequado nesse processo,
é o vinyl, podendo também ser utilizados papéis
e tecidos de fibras sinteeticas. Tecidos de fibra natural não
são adequados por absorverem quantidades excessivas de emulsão.
O tipo de vinyl mais apropriado é aquele
que apresenta uma face lisa, brilhante, e outra ligeiramente áspera,
sendo essa a face recomendada para o trabalho de impressão.
A face lisa, por suas próprias características, não
segura a emulsão e, portanto, impede o trabalho de gravação
da imagem.
A grande vantagem em utilizar o vinyl como suporte
reside no fato de que ele permite apagar um resultado não
satisfatório e ser reaproveitado, sendo que o mesmo não
ocorre com os outros suportes. Esse procedimento não altera
a permanência da imagem final, desde que processada adequadamente.
Utilizando papel como suporte, deve-se escolher
um papel de absorção média e resistente a diversos
banhos de água. Rives BFK, Strathmore, Canson, Whatman e
Arches são os mais recomendados. Antes de iniciar os trabalhos
esse papéis requerem um pré-recolhimento de suas fibras,
feito em banho de água corrente, ea aplicação
de duas ou três mãos de cola sinteetica branca diluída
em água na proporção de 1:3. Esse “encolamento”
de fobras também pode ser feito por imersão ou com
a aplicação de impermeabilizantes diversos.
O trabalho com tecidos de fibra sintética,
como cetim ou crepe, não precisa do tratamento à base
de cola. No trabalho com tecidos é necessário diluir
a emulsão no líquido branqueador (clear) na proporção
de 1:2.
As fontes de exposição à
luz são as mesmas sugeridas na descrição dos
processos anteriores.
Os negativos de alto-contraste são os mais
recomendados na prática desse processo. Negativos reticulados
tambeem servem a esse propósito.
Materiais
- 3 frascos de emulsão
Kwik ( cores primárias são suficientes);
- 1 pacote de algodão cirúrgico para a aplicação
da emulsão ( esse tipo de algodão é comercializado
em pequenos rolos e tem uma de suas faces ligeiramente engomada,
é com essa face que se deve trabalhar);
- 1 perfurador de registro
- 4 botões de registro, muito úteis quando a intenção
é trabalhar com diversos negativos ou realizar exposições
múltiplas;
- 1 esponja macia ( similar à de cozinha ) ou 1 pincel largo
e macio como instrumentos auxiliares no processo de revelação;
- 1 bandeja plástica para revelação, recomenda-se
o uso de um sifrão para fazer circular a água.
Procedimentos
1. Duas ou três
gotas da emulsão devem ser derramadas sobre a superfície
suporte e rapidamente espalhadas com o auxilio do algodão
cirúrgico, de forma que se obtenha uma superfície
uniforme, isto é, evitando a concentração do
líquido em excesso. A quantidade de gotas sugerida é
mínima e suficiente para cobrir uma superfície de
50 x 70 cm . O mesmo algodão não deve ser utilizado
na aplicação de uma segunda camada de emulsão,
quando se trabalha com múltiplas exposições.
2. Seque o suporte com o auxílio de um secador de cabelos,
evitando aquecê-lo demasiadamente, pois o vinyl poderá
amolecer e ficar irreversivelmente ondulado. A secagem inadequada
do suporte pode danificar o negativo de forma permanente.
3. A impressão é feita por contato do suporte com
o negativo. O tempo de exposição é corretamente
indicado por um teste de tira, mas, geralmente, não chega
a ser superior a 2 minutos. A distância da fonte de luz ao
suporte deve ser aproximadamente 50 cm. Uma superexposição
torna o tempo de revelação demasiado longo. A fonte
de luz adequada é a mesma sugerida nos procediemntos anteriores.
4. A revelação deve ser feita em água corrente
morna, pelo tempo ne cessário para que a imagem gravada apareça
na superfície do suporte. Caso deseje acentuar detalhes nas
áreas de altas-luzes, adicione ao banho revelador 2 ou 3
gotas de amoníaco. Por vezes, o tempo de revelação
é um pouco mais longo, sinal de que o tempo de exposição
foi demasiado. Desejando apressar o processo de revelação
e criar alguns efeitos de textura, utilize um pincel largo e macio
sobre a superfície do suporte durante a revelação.
Uma esponja macia também pode fazer as vezes do pincel. Nesse
caso, é necessário cautela, pois essas esponjas geralmente
são constituídas de algumas partículas de madeira
que poderão arranhar o suporte, imagem, o que, com certa
experiência, pode redundar em efeitos cromáticos singulares
quando a intenção é executar uma sobreimpressão.
5. Seque o suporte após a revelação.
O primeiro resultado não é gratificante. A imagem
aparece pálida e sem muitos contrastes. Recomenda-se a repetição
do processo por várias vezes, e com camadas de pigmentos
diversos para que o contraste seja acentuado e a imagem bem delineada.
Os trabalhos de Bea Nettles,
Charles Swedlund, Elaine O’Neil e deste autor são bons
exemplos da versatilidade do processo.
Alguns dels chegam a ter cerca de vinte ou trinta camadas de emulsão,
o que equivale dizer que o processo foi repetido o mesmo número
de vezes para obtenção de uma única imagem.
No Brasil, este autor introduziu o processo. Alguns de meus trabalhos
levaram cerca de duas semanas para serem concluídos, .uitos
em função de que, nessa prática, não
há limite imposto pelas ferramentas, é o impressor
que determina qual será o resultado final.
Nos Estados Unidos,
a expressão one of a kind (único do gênero)
é utilizada para designar a impressão única
de uma imagem, isto é, uma imagem que por determinação
do autor, e também pela imposição do processo
de impressão, gera apenas uma única cópia.
Esse é, muitas vezes, o caso do Kwik print e, não
raro, da impressão sobre goma-arábica, principalmente
quando se trata de imagens policromadas. É, no entanto, possível
obterem-se imagens seriadas e reprodutíveis em ambos os processos. |