A CAMERA DO BURACO DA AGULHA (PINHOLE) Negativos
“alternativos”, em papel ou filme, podem ser produzidos
com uma “máquina fotográfica” de fabricação
caseira, a popular pinhole câmera que, em tradução
literal, quer dizer “câmera do buraco da agulha”,
pois seu “visor” é feito com uma agulha de costura
fina.
Quando essa câmera é bem executada, principalmente
no que diz respeito a seu visor, propicia imagens de boa definição
e profundidade de campo ilimitada, o que é impossível
nas câmeras comuns, mesmo as mais sofisticadas.
O
corpo da “câmera do buraco da agulha” pode ser
constituído de uma caixa de sapatos de papelão ou
uma lata de leite em pó, Seu interior deve ser pintado com
uma tinta de cor preta fosca ou forrado com papel cartão
preto fosco. Em uma das faces da “câmera” deve
ser aberta uma pequena janela quadrada de 3 cm ( o que não
é necessário se o corpo da máquina for de lata).
Essa janela é posteriormente vedada por uma pequena folha
de alumínio, também de formato quadrado de 4cm, que
pode ser recortada de um fundo de pratos de aluminío do tipo
Rochedo.
No centro dessa lâmina deverá ser feito um orifício
com o auxílio de uma agulha de costura fina. Esse orifício
deve ser levemente lixado com uma lixa de unhas, de forma que apare
qualquer pequena aresta provocada pelo ato de furar. A execução
do visor é de extrema importância, pois é, em
grande parte responsável pela qualidade de definição
da imagem obtida. O exterior da máquina caseira nunca deve
ser escuro ou pintado de preto, pois isso pode aquecer excessivamente
o filme ou o papel que será colocado em seu interior. Convém
forrar o exterior da máquina com uma fazenda clara.
A
“câmera do buraco da agulha” pode assumir dimensões
variadas e possuir mais de um visor. Pode se por exemplo, construir
uma máquina panorâmica, de visor múltiplo, utilizando
uma caixa de chapéu de senhora, em forma cilíndrica,
e perfurando quatro visores em torno de um eixo cruzado. Experimente
tanbém construir uma máquina a partir de uma velha
mala de viagem sanfonada, ela proporcionrá distâncias
focais diversas.
A invenção também ocupa lugar de relevância
na confecção de uma máquina desse tipo. Tudo
depende do resultado que se quer obter. Lembro de ter visto uma
“câmera” cujo visor foi inteiramente confeccionado
com uma bolacha de água e sal e outra, cujo visor era constituído
de um diminuto buraco de fechadura.
O fotográfo Marcos Ribeiro é o autor da idéia
de transformar uma perua Kombi em máquina pinhole móvel.
Segundo Ribeiro, essa curiosa “máquina automóvel”
seria blindada e dirigida pelo fotógrafo, que estaria assim
dentro da máquina – reedição da “câmera
obscura” (primeira máquina fotográfica), na
qual o fotógrafo entrava no interior da máquina para
copiar a cena projetada numa de suas paredes.
O
papel negativo
Considerando-se que um
papel fotográfico é um filme de baixa velocidade na
captação de imagens, ele também poderá
ser inserido em máquinas fotográficas de grandes formatos,
exposto e processado como um filme, exatamente como fazia William
Henry Fox Talbot na execução das primeiras imagens
fotográficas, época em que o filme sobre base plástica
de hoje ainda era um sonho distante. As máquinas pinhole
são bastante apropriadas para essa prática.
Revelação
alpha
Outro
curioso efeito que se pode obter com a utilização
de uma máquina pinhole, ou uma máquina de grande formato,
ou seja, máquinas que possibilitam a utilização
de chapas superiores a 4 x 5 polegadas, é o da Revolação
Alpha. Trata-se de um efeito obtido sobre um papel negativo, subexposto
no interior da câmera e posteriormente imerso em banho revelador
comum durante muitas horas (12 horas no mínimo). O tempo
de espera vale o efeito, pois o resultado final apresenta uma imagem
negativa literalmente prateada, não só no que diz
respeito à sensação cromática como também
no aspecto reluzente da matéria-prima sensível do
papel: a prata. Material positivo também pode ser utilizado
para esse fim.
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