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PLATINUM E PALLADIUM
Dentre
todos os processos férricos o Platinum é, com
certeza, o mais caro, pois emprega em sua solução fotossensibilizadora
o cloreto de platina. Esse processo, aperfeiçoado por William Willis por volta de 1800, chegou mesmo a ser
comercializado até o início do século XX. O alto custo da platina, no
entanto, tornou o seu comércio inviável.
Hoje, o
processo goza de muito prestígio entre os fotógrafos devido à nobreza e
estabilidade da platina que forma a imagem. Outros fatores que atraem
muitos fotógrafos a essa prática são a qualidade
tonal que a imagem impressa apresenta e sua capacidade de captar bom
detalhamento dos originais.
Os
procedimentos para imprimir uma imagem nesse processo são quase os mesmos
descritos nos processos anteriores: sobre um papel suporte é aplicada uma
emulsão fotossensível para posterior impressão por contato, revelação e
fixação da imagem gravada.
Como
forma de baratear os custos envolvidos na produção de um Platinum, muitos fotógrafos adicionam paládio à solução
fotossensibilizadora, daí o nome combinado do
processo. O paládio é um metal um pouco mais barato do que a platina, que
proporciona um resultado final de tons marrons.
São
várias as etapas que devem ser percorridas para que se possa obter um bom
resultado final.
Materiais
A escolha
do papel suporte é de extrema importância na execução dessa tarefa. O papel
suporte deve ter qualidade excelente, não ser poroso ou texturizado
e ter pH zero. Os papéis mais adequados à impressão Platinum
são: Kid’s Crane Finish AS 8111 e Rives BFK,
sendo que esse último deve ser tratado, antecipadamente, em banho de água
destilada para o pré-encolhimento de suas fibras, caso contrário, absorve
uma quantidade excessiva e desnecessária de emulsão, provocando um
resultado final muito denso e escuro. Há quem tenha conseguido bons
resultados utilizando papéis artesanais.
Materiais auxiliares:
- 1 pincel largo e macio, de preferência sem a parte metálica que,
geralmente, segura as cerdas ao cabo. Caso não seja possível encontrar esse
tipo de pincel, aconselha-se que a parte metálica seja coberta por uma fita
isolante plástica;
- 3 frascos de vidro graduados para a mistura da química; 6 frascos de
vidro escuro para estocar a química;
- 4 bandejas plásticas para os banhos reveladores e banho final em água
corrente (aconselha-se o uso de um sifão para drenar a água);
- 4 pequenas pás de plástico para a mistura das soluções químicas.
Procedimentos
Solução
sensibilizadora* - químicos
Solução
A
55 ml de água destilada a uma temperatura de 50º C
1 g de ácido oxálico
16 g de oxalato férrico
Solução
B
60 ml de água destilada a uma temperatura de 50º C
1 g de ácido oxálico
15 g de oxalato férrico
0,4 g de clorato de potássio
*Essas
soluções deverão ficar em repouso por cerca de 15
horas antes de sua aplicação.
Solução
C
50 ml de água destilada a uma temperatura de 40º C
8 g de cloroplatinino de potássio
Quando em
temperatura ambiente, alguns desses químicos tendem a precipitar-se na
solução. Para dissolvê-los, basta aquecer moderadamente a solução em
banho-maria, à temperatura de aproximadamente 30º C. Geralmente, é
necessário um tempo equivalente a 30 ou 45 minutos para a completa diluição
dos químicos.
Desejando
adicionar paládio a solução é a seguinte:
Solução
D (Palladium)
60 ml de água destilada a uma temperatura de 50º C
10 g de cloropaladito de sódio
Emulsão
sensibilizadora
Negativos
suaves
8 gotas
de solução A
15 gotas de solução B
24 gotas de solução C
Negativos
de contraste normal
14 gotas
de solução A
2 gotas de solução B
23 gotas de solução C
Negativos
contrastados
22 gotas
de solução A
0 gotas de solução B
25 gotas de solução C
Quando se
utiliza uma solução de Platinum combinada a uma
solução de Palladium (soluções C e D) deve-se
misturá-las em qualquer proporção, desde que a soma do número de gotas
permaneça a mesma indicada para a solução C nas misturas sugeridas acima.
As
quantidades aqui sugeridas são suficientes para imprimir duas imagens do
tamanho 18 x 24 cm.
Sensibilização
Antes de emulsionar o papel suporte, certifique-se de que ele
está fixo sobre uma superfície lisa. Fitas adesivas ou pequenas tachinhas
colocadas nos cantos do papel geralmente são eficientes. É aconselhável que
se defina a área de trabalho no papel, distanciando-a por uma margem, para
que não haja desperdício de emulsão. Certifique-se também de ter envolvido
(isolado) a parte metálica do pincel com uma fita adesiva ou uma fita
isolante plástica, pois a emulsão é muito frágil e facilmente contaminada
pelo contato com qualquer tipo de metal, o que provoca danos irreparáveis
ao resultado final.
Uma vez misturada, a emulsão se deteriora rapidamente, portanto a tarefa de
aplicá-la sobre o papel deve ser imediata, ágil e uniforme.
Antes de iniciar a aplicação, mergulhe as pontas do pincel num recipiente
contendo água destilada e, logo após, remova o excesso de água. Esse
procedimento evita que o pincel absorva uma quantidade excessiva de emulsão.
A emulsão deve ser aplicada rápida e alternadamente nos sentidos horizontal
e vertical, da maneira mais uniforme possível, isto é, evitando a
concentração do líquido e a formação de bolhas. Uma vez terminada a tarefa,
o papel deverá ser pendurado num varal, situado em local escuro, para secar
por cerca de 10 minutos, após o que, com o auxílio de um secador de cabelos
de temperatura moderada (30º C no máximo), o processo de secagem será
completado.
Atenção
Não toque
a emulsão após a secagem. Como já dissemos, a emulsão é muito frágil e
contamina-se com muita facilidade.
Não é aconselhável estocar o papel emulsionado. A
impressão deverá ser executada imediatamente após a secagem da emulsão.
Exposição
A
exposição é feita por contato direto do negativo com o papel emulsionado. A luz solar ou qualquer outra fonte de luz
ultravioleta pode ser utilizada. Lâmpadas de
quartzo de 1000 W também são apropriadas. Não se recomenda a utilização de
fontes de luz fria.
Utilizando-se a luz solar, o tempo de exposição varia entre 2 e 4 minutos.
Uma fonte de luz elétrica requer um tempo mais longo, entre 20 e 30
minutos. O melhor indicador para uma exposição correta sempre será o teste
de tira – não deixe de fazê-lo, é uma medida econômica.
Revelação
Revelador
– 450 g
de oxalato de potássio diluídos em 1, 50 litros de água
destilada. O revelador deverá ser mantido em temperatura constante, nunca
inferior a 28º C.
A ação do revelador é quase instantânea, portanto o papel deve ser
mergulhado de modo uniforme, evitando a formação de bolhas de ar na
superfície emulsionada. O tempo de revelação é de
1 minuto.
Branqueador (clear) – 15 ml de ácido clorídrico diluídos em 1 litro de água
destilada. Por questões de segurança, sempre dilua o ácido em água e nunca
o oposto.
Após a revelação, a imagem deverá ser tratada em 3 banhos branqueadores
sucessivos e em banheiras diferentes. Para tanto, divida em partes iguais a
solução branqueadora acima indicada. Cada um desses banhos deve ter a
duração de 5 minutos.
Finalmente, a imagem deve ser lavada em água corrente a uma temperatura de
aproximadamente 25º C, durante 35 minutos. Seque a imagem, deitando-a sobre
uma chapa de vidro ou de acrílico, para que o papel não fique curvado.
Após a secagem, caso uma ligeira ondulação ocorra no papel, ele poderá ser
prensado por pilhas de livros ou um rolo compressor, durante algumas horas,
o que fará com que ele volte a sua forma natural.
Quando os químicos das fórmulas originais não estão disponíveis, pode-se
recorrer a fórmulas alternativas. Ha também
fórmulas que possibilitam tonalizar uma impressão Platinum,
no entanto, como esse não é um livro dedicado exclusivamente a esse
processo, sugiro uma consulta à bibliografia indicada.
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