QUIMIGRAMA (PINTURA QUIMICA)

A química utilizada na revelação, fixação e tonalização da imagem fotográfica também pode constituir-se em elemento de produção de efeitos de características únicas. Nesse âmbito, o trabalho do fotógrafo belga Pierre Cordier merece destaque por ter sido o introdutor desses métodos fotográficos – e também pela alta qualidade plástica, técnica e inventiva das imagens que produz. Seus trabalhos, verdadeiras pinturas fotográficas, são como “música para os olhos”, ora caracterizados por estruturas modulares, ora por formas orgânicas similares aos ondulados desenhos de um papel mármore. Nesses trabalhos, nos quais não existe qualquer interferência de meios mecânicos, Cordier demonstra habilidoso controle técnico de um procedimento cujos resultados parecem meras obras do acaso.

A pintura fotográfica (ou quimigrama) com o revelador requer, além do papel fotográfico comum, instrumentos que possibilitam a aplicação sobre a superfície do papel. Esses podem variar de acordo com a capacidade de invenção de quem executa a tarefa. Podem ser utilizados pincéis diversos, pentes, pequenas fôrmas ou carimbos, enfim, tudo o que possa ser embebido na solução química.

Nessa prática, ao contrário do procedimento usual, o papel fotográfico pode ser trabalhado em luz ambiente não muito intensa. A aplicação da química reveladora (diluída na proporção de 1:2, isto é, 1 parte de química para 2 de água) sobre a superfície do papel provoca uma reação imediata : torna-a escura.

Uma vez terminada a composição, o papel deve ser colocado no banho interruptor durante 1 minuto e, posteriormente, banhado no fixador durante 10 minutos. Um banho final, em água corrente, por cerca de 45 minutos, finaliza o processo de produção da imagem, que deverá então ser secada, nos moldes da fotografia tradicional. O que se obtém como resultado é uma imagem preta sobre fundo branco.

Pintando com fixador e tonalizadores

A pintura fotográfica com a química fixadora é feita nos mesmos moldes da pintura com o revelador. A aplicação do fixador sobre a superfície do papel, no entanto, produz um resultado oposto ao que é produzido quando a química reveladora é aplicada. Após a revelação, as áreas cobertas pelo fixador aparecem brancas sobre um fundo preto. A aplicação do fixador e dos tonalizadores deve ser feita em ambiente escuro.

Após a execução da pintura com o fixador e/ou tonalizadores, a imagem deve ser banhada na solução reveladora (diluição 1:2) durante o tempo necessário para a obtenção das diversas tonalidades de cinza e preto que se deseja imprimir na composição (isso quando o trabalho é executado sobre papel fotográfico preto-e-branco convencional). Lembre-se, você poderá aplicar os mesmos procedimentos a papéis fotográficos coloridos.
A solução reveladora, em contato com o suporte trabalhado, focará contaminada pelo fixador, o que não impede sua reutilização na confecção de uma série de imagens desse mesmo tipo.

Após a revelação, a imagem deverá ser transferida para o banho fixador por cerca de 3 minutos e, finalmente, ser banhada em água corrente durante 30 minutos quando então estará preparada para a secagem.
A química tonalizadora, quando aplicada sobre a superfície do papel nos moldes da pintura com o revelador e fixador, produz efeitos cromáticos muito interessantes. Siga as instruções de diluição desses tonalizadores recomendadas pelo fabricante.

Caligrafia Fotográfica

A caligrafia fotográfica é uma espécie de variação do quimigrama. Sua execução independe de meios mecânicos. Trata-se da obtenção de uma imagem fotográfica a partir de reações químicas.

As canetas hidrográficas que utilizam tintas à base de álcool, quando aplicadas diretamente sobre o papel fotográfico convencional, produzem efeitos e texturas moduladoras bem diversas daquelas que se pode obter na prática do cliché verre ou de qualquer outro método de sensibilização de superfícies. Quando o papel, no qual se escreveu ou desenhou com o material hidrográfico é revelado, sua superfície fica aparentemente escura. Alguns segundos depois, a tinta se dissolve deixando aparente a escritura executada. O tempo de revelação, interrupção e fixação, bem como seus procedimentos, são os convencionais. Experimente trabalhar com canetas hidrográficas de pontas de espessuras diferentes, como mostram as ilustrações, as quais foram combinadas com máscaras de papel e negativos, impressos por contato com o papel fotográfico.